Tecnologia Verde
Na era da tecnologia e da consciência ambiental, o mais natural seria a união das duas forças. A tecnologia verde objetiva a sustentabilidade, o encontro das necessidades da sociedade de uma forma que possa continuar indefinidamente para o futuro sem causar danos ou destruição dos recursos naturais. Em suma, a satisfação das necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades.
Atualmente, esta tecnologia limpa está nos estágios iniciais do seu desenvolvimento, mas é um campo de maneiras novas e inovadoras que irão fazer mudanças significativas na vida cotidiana.
A tecnologia verde demonstra menos danos à humanidade, aos animais e plantas, buscando eliminar o desperdício e a poluição, mudando os padrões de produção e consumo.
Tipos de Tecnologia Verde
- Talvez a questão mais urgente para a tecnologia verde seja a produção de energia, o que inclui o desenvolvimento de combustíveis alternativos, novos meios de geração e eficiência energética, fazendo uso de recusos naturais renováveis e não poluentes.
- A edificação verde é uma forma inovadora de construir prédios e casas usando ferramentas e materiais que não prejudicam o meio ambiente e ainda colaboram para a economia.
- A busca de produtos cujos conteúdos e métodos de produção tenham o menor impacto possível ao meio ambiente.
- A nanotecnologia, que envolve a manipulação de materiais na escala do nanômetro, um bilionésimo de metro. Alguns cientistas acreditam que o domínio deste assunto transformará a maneira como tudo no mundo é fabricado.
Velhas Guerras, Novos Heróis
Onde estão os heróis de hoje? Onde estão os Heitores, Teseus, Hércules e Ulisses?
A humanidade atual carece de valores e seus ídolos são os famosos fúteis e orgulhosos.
O medo é imposto como algo a não ser reagido, como algo forte e imbatível, que homem que se preze guarda sua família com trancas e muros altos. Escondem-se como caracóis, vítimas da corrupção que financia o próprio medo.
Há quem diga: "se queres a paz, prepara-te para a guerra".
Mas que guerra é essa? Não é esta guerra violenta, brutal e sangrenta, fruto da ignorância daqueles que alimentam interesses mesquinhos.
A guerra é sinônimo de conflito, e a verdadeira guerra é aquela travada em nosso interior. A constante luta entre o bem e o mal, a vontade e a preguiça, a coragem e o medo, a verdade e a mentira...
Qual lado será vencedor? Aquele que for mais bem alimentado, que receber maior atenção.
Cada exército prepara seu soldado. De um lado são postos exercícios que fortalecem o corpo e a alma, incitam a vencer o próprio medo, a enfrentar os obstáculos da vida sem recuar. Neste exército lideram a justiça, a virtude, a verdade e a liberdade.
O outro exército oferece cama macia, comida farta, fama e prazeres aos seus escravos, mantidos sem correntes, mas presos por suas atitudes egoístas e sórdidas, pelo medo de perder suas comodidades.
A vida é o grande campo de batalha e incita a luta.
Qual exército será escolhido?
Beethoven, O Gênio Rebelde
Ludwig van Beethoven foi um gênio universal, sua popularidade extraordinária durante sua vida nunca parou de crescer. Um homem de extrema complexidade e dotado de uma inteligência brilhante. Tinha uma personalidade compulsivamente criativa e incapaz de tolerar repressões, foi tanto um rebelde social em uma época que o mundo sentia-se ameaçado pela ascensão de Napoleão Bonaparte. Lutando contra uma progressiva e incurável surdez, a qual tentou desesperadamente manter em segredo, ele não obstante produziu obras de arte monumentais, como as emblemáticas Quinta e Nona Sinfonias.
Ludwig van Beethoven nasceu em Bonn, em 16 de dezembro de 1.770. Nesta época, Mozart tinha 14 anos e Napoleão acabara de nascer. Sua família era natural da antiga região de Flandres, ou seja, de origem flamenga. Embora tenha nascido em Bonn, o cenário principal da vida de Beethoven foi Viena, que no fim do século XVIII era um centro musical por excelência. Quase todos os aristocratas e burgueses ostentavam possuir uma orquestra própria, na qual em muitas ocasiões tomava parte o próprio cabeça da família. A figura do compositor, no entanto, como experimentaram Haydn e Mozart, era ainda imprecisa: seus meios de subsistência dependiam sobretudo da permanência em mansões nobres, pois o cargo reunia, ao mesmo tempo, o papel de funcionário, de cortesão e de criado.
Porém Beethoven não se submeteria a essas situações e faria da liberdade uma das metas predominantes de sua vida: ele foi o artista livre que a História sempre irá lembrar.
Nos círculos musicais conta-se que em certa ocasião dirigiram-se a Wagner para perguntar-lhe a respeito de quem ele considerava o melhor dos músicos. O mestre respondeu que, evidentemente, era ele mesmo.
- Mas, e Beethoven? - tornaram a perguntar-lhe.
- Beethoven?!... Senhores, Beethoven É A MÚSICA!
Seu avô paterno, igualmente chamado Ludwig van Beethoven, havia emigrado para a Alemanha a fim de tentar a vida como músico. Aprendeu a tocar vários instrumentos e conseguiu se elevar à categoria de músico na capela da corte. Casado com uma mulher que foi levada à bebida, buscou entre seus filhos algum que revelasse talento musical e, efetivamente, o segundo, Johann, herdou do pai a inclinação pela música, vindo a ser tenor e violinista da corte. Mas teve a desgraça de herdar da mãe o gosto pelo álcool, o que converteu o pai de Beethoven num homem autoritário e brutal no relacionar-se com a família, onde apenas se ocupava de seus filhos, sobretudo do mais velho - Ludwig - para obrigar-lhe desde os três anos a tocar o clavicórdio durante horas, quando intuiu nele dotes prodigiosos.
Entrega-lhe inclusive um violino em miniatura, para que Ludwig aprenda a tocá-lo, mas o pequeno não oferece a menor resistência; pelo contrário, demonstra desde cedo uma grande inclinação à música: aprende as notas musicais antes das letras do alfabeto, e como ainda é uma criança, suas primeiras lições de música são interrompidas muitas vezes pelo choro.
O mundo naquela época estava cheio do nome de um menino prodígio, Mozart, e semelhante que fez ao pai daquele, quando Ludwig estava para completar 8 anos, seu pai o apresenta para dar alguns concertos dizendo que tem apenas seis.
Aos 14 anos, Beethoven alcança o posto de segundo organista da corte. Através deste trabalho conhece o conde Waldstein, que exercerá uma influência decisiva em sua carreira musical. O conde consegue que Beethoven viaje a Viena para ser apresentado a Mozart - mestre já consagrado na Europa -, que aos 28 anos escuta aquele jovenzinho improvisar ao piano e emite um juízo clarividente, dizendo: "Atenção! Este jovem fará com que o mundo fale dele!".
Mas a sua primeira e feliz estância em Viena é interrompida pela notícia da morte de sua mãe. Tem 17 anos e essa morte o converte rapidamente num adulto. O pai, cada vez mais embrutecido pelo álcool, é expulso da corte e é entregue a Beethoven a metade do salário daquele, com a condição de que tome a seu cargo a educação de seus irmãos. Mas é pouco, e Beethoven trata de ganhar mais dinheiro dando aulas. Como professor de música, entra nas casas mais abastadas, trava relação com nobres de educação esmerada, amantes da música, e que sabem admirar seu talento. As mais altas hierarquias de Viena abrem-lhe suas portas. Mas não se deixa intimidar por ninguém, nem sequer pelos grandes personagens. Por isso, em várias ocasiões, se alguém está falando quando ele interpreta, depois de censurá-lo, não vacila em deixar as teclas e abandonar a sala ante a estupefação geral. Para Beethoven a música era algo sagrado, e não suportava a banalidade das pessoas em sua presença.
Aceita, então, hospitalidade no belo palácio do príncipe Lichnowsky, mas já começa a manifestar-se seu espírito independente, rebelde a toda espécie de atenções, e quando a etiqueta do grande palácio lhe resulta intolerável, Ludwig não duvida em reunir seus pertences e mudar-se para um pequeno alojamento no centro da cidade. Começa aqui a manifestar-se aquela característica de instabilidade que o acompanhará durante toda a sua vida e que em 35 anos de permanência em Viena, o induziu a mudar de domicílio até trinta vezes, chegando inclusive a residir em três casas ao mesmo tempo.
Em 1795, aos 25 anos, Beethoven encontra-se no ápice da fama. Esta, se estende mais além das fronteiras da Áustria. O seu êxito é tal, que começam a chover-lhe os concertos. Sob seus dedos rechonchudos, o piano se converte num instrumento mágico.
A sua personalidade durante este período se consolida, sobretudo na composição de obras destinadas ao piano: as primeiras sonatas, numerosas variações, os primeiros quartetos... mas a necessidade de expressar uma emoção não somente individual, mas coletiva, faz com que Beethoven busque além do piano a riqueza instrumental, toda a potência sonora de uma orquestra com a totalidade de seus instrumentos. Nascem assim a "Primeira e a Segunda Sinfonias" e os três primeiros concertos para piano.
É em 1796, aos 26 anos, quando mais promissores eram os prognósticos para o futuro e a tranqüilidade financeira parecia estar garantida, que Beethoven percebe os primeiros sintomas da terrível surdez que iria agravar-se implacavelmente com as passagens dos anos. Seu estado piora a partir de 1801, a doença o deprime e ele pensa em se suicidar, porém supera a crise e continua sua carreira. Paradoxalmente, o problema o leva a criar uma arte de complexidade e beleza incomparáveis.
Sua vida sentimental é motivo de permanente angústia. Ao longo dos anos desfilam ante Beethoven muitas mulheres jovens, as quais admira e pelas quais é admirado e surge-lhe um desejo nunca satisfeito: de formar uma família, ter uma casa própria, uma esposa. Mas de todas as mulheres às quais se dirigiu, por nenhuma foi correspondido. Uma das causas que impediram, sem dúvida, que qualquer destas relações resultasse em matrimônio, é que estas jovens pertenciam à nobreza. Um matrimônio celebrado fora do próprio âmbito social era impraticável naquela época.
É o período em que compõe a "Terceira Sinfonia", também chamada "Heróica" e que marca sua maturidade criadora. Surgem em seguida a "Apassionata", a "Quarta Sinfonia", a Quinta e a Sexta", e a Europa inteira o escuta eletrizada. O seu reconhecimento exterior chegou a tal altura que todos, quando visitam a capital austríaca, querem vê-lo, querem conhecê-lo. Financeiramente, porém está completamente falido. Chovem-lhe os títulos, mas Beethoven ri-se e exclama: "Com eles não se come!".
Em 1815 apresenta-se como pianista pela última vez. Ainda não completara os 45 anos mas a surdez o isola cada vez mais do público. Até este momento o ouvido teve suas alternativas, mas a partir dos 45 anos só conversa com o mundo através da escrita.
Em 1824 completa a "Nona Sinfonia", mas Beethoven parece intuir que lhe resta pouco tempo. Apenas terminada obra, já quer logo executá-la em público. Aquele foi seu último concerto. O mestre está presente, mas não pode dirigir a orquestra; de um palco contempla, ao finalizar, como a sala vem abaixo pela forte impressão recebida. Pode ver o público em pé, mas não pode ouvir seus aplausos, do mesmo modo que tampouco pôde ouvir a obra. Durante seus dois últimos anos somente escreve quartetos, porém coloca neles seu coração de tal forma, que ele mesmo confessa: "Nunca minha música teve semelhante expressão. Cada vez que recordo estas notas, meus olhos ficam úmidos".
No dia 26 de março de 1827, no final da tarde, Beethoven expirou, vítima de uma pneumonia que degenerara em hidropisia. Seus restos descansam juntos ao de Mozart, no mesmo cemitério em Viena, numa parceria que nunca existiu em vida, mas que após à morte uniu o que restou dos dois maiores gênios da música.
Obras
Nove sinfonias, dentre elas a Nona, sua última sinfonia, a que mais se consagrou no mundo inteiro
Cinco concertos para piano
Concerto para violino
"Concerto Tríplice" para piano, violino, violoncelo e orquestra
32 sonatas para piano (ver abaixo relação completa das sonatas):
16 quartetos de cordas
Dez sonatas para violino e piano
Cinco sonatas para violoncelo e piano
Doze trios para piano, violino e violoncelo
"Bagatelas" (Klenigkeiten) para piano, entre as quais a famosíssima Bagatela para piano "Für Elise" ("Para Elisa")
Missa em Dó Maior
Missa em Ré Maior ("Missa Solene")
Oratório "Christus am Ölberge", op. 85 ("Cristo no Monte das Oliveiras")
"Fantasia Coral", op. 80 para coro, piano e orquestra
Aberturas
Danças
Ópera Fidelio
Canções
O Excesso de Informação - Um Problema Atual
Desde os primórdios os homens sentem necessidade de comunicação, seja através das expressões, da pintura, da música, da fala ou da escrita. Essas manifestações e seus meios de transmissão evoluíram em proporções gigantescas. Porém a mentalidade da humanidade não evoluiu na mesma escala, a capacidade de compreensão, de análise e a falta de exatidão quanto às informações têm gerado um problema já enraizado na sociedade, a desinformação pelo excesso de dados.
A televisão é tida como fonte segura de informação, quem nunca ouviu a famosa frase "- É verdade sim, passou na TV."? A televisão exerce um poder de autoridade sobre as pessoas, mesmo sobre aquelas que se dizem bem informadas e sabem que tudo que é transmitido passa por um trabalho de edição e montagem. No entanto, o que apareceu na TV se torna muito mais verdadeiro do que aquilo que não apareceu. Isto é sabido e usado por aqueles que pretendem induzir a sociedade a pensar de uma determinada maneira.
Os meios de comunicação atuais são capazes de nos transmitir dados sobre tudo, em muita quantidade e em muita velocidade. Os noticiários, buscando a objetividade, se limitam a dizer o que aconteceu, quando aconteceu e a mostrar rapidamente algumas imagens que dificultam a compreensão, isto são dados. Acabam não informando o porquê do acontecimento, qual foi o propósito e qual o motivo de sua relevância, isto é informação. Portanto, com tantos dados sendo divulgados não sobra espaço para a informação. Durante um telejornal com duração de 40 min. são transmitidas dezenas de notícias, após a quarta reportagem dificilmente a segunda será lembrada e daí por diante. Não existe tempo para reflexão entre uma notícia e outra, isto gera uma compreensão muito básica e superficial daquilo que realmente está acontecendo.
A torrente de supostas informações chegam não só por meio da televisão, mas através dos celulares, jornais, revistas, livros e, principalmente, da internet. Este excesso provoca um estado de hiperexcitação e ansiedade, causando uma perda da capacidade analítica que pode levar a decisões imprudentes e concluões distorcidas.
Na internet são milhões de páginas em um mar sem limites de dados, elas só poderão ser úteis na medida em que possamos processar como informação e então transormá-la em conhecimento.
O excesso de informação se transforma em uma intoxicação quando não pode ser digerido. Para essa assimilação é preciso pensar sobre os dados, compreender os processos e não ficarmos a mercê apenas do impacto causado. O problema do excesso de informação é que contar com uma quantidade imensa de informação não garante que essa informação seja confiável. O discernimento é produto da inteligência. É ele que deverá efetuar a seleção, diferenciando o que é correto e o que não é. Isto significa princípios e critérios.
O Homem e o Meio Ambiente
Disse Pitágoras em seus Versos Áureos que "conhecerás os homens, vítimas dos males que eles mesmos se impõem, cegos pelos bens que os rodeiam, que não ouvem nem veem: são poucos os que conseguem se livrar da desgraça. Tal é o destino que estorva o espírito dos mortais, como contos infantis que rodam de um lado ao outro, oprimido pelos males inumeráveis...".
Como um corpo doente, a Terra sofre, atacada por parasitas que sugam sua vitalidade. A humanidade, incrédula da cadeia de consequências que alimenta, desmata, rouba, altera e mata.
O homem quando atacado por vermes e bactérias que o adoece, seu organismo reage, afim de destruir seus oponentes.
Enquanto a humanidade agir como inimiga da Terra, do meio ambiente, dos animais, das plantas e dela própria, a guerra não terá fim.
O planeta, doente como está, reage aos seus cruéis oponentes, lançando tempestades, frio e calor cada vez mais intensos, espécies animais e vegetais se extinguem, vales alagados, plantações atacadas.
O consumo desenfreado de "lixo" pelo homem o mantém escravo. Ganancioso e orgulhoso ele não percebe seu próprio drama.
A crise financeira toca mais do que a crise humana.
É preciso agirmos como um ser uno, humanidade e natureza aliados para o benefício de todos.
Enquanto a humanidade se dividir em partidos, nunca poderá ser inteira, e padecerá dos próprios males que gera.
Um Mergulho nas Águas Brasileiras
O Brasil é o país do mergulho. O esporte, presente há mais de 30 anos, conta com uma costa de 8 mil quilômetros, pronta para ser desvendada pelos milhões de mergulhadores que aqui residem. Para quem está começando existem águas calmas e muito quentes, tornando confortável este primeiro contato.
Além disso, o Brasil coleciona mais de duas mil embarcações naufragadas em sua costa - principalmente no Rio de Janeiro e Bahia -, despertando a curiosidade dos que amam a água. Algumas delas podem ser vistas numa profundidade de oito metros apenas.
Confira alguns locais indicados para o mergulho:
Ilha Grande (RJ) - Freguesia de Santana, a primeira vila da ilha, é um bom lugar para o mergulho livre, possui águas tranqüilas, além de ser um interessante ponto turístico. Para chegar até esta praia, o aventureiro deve percorrer trilhas leves.
Além da Freguesia de Santana, outros locais ideais para o mergulho livre são a Ilha dos Macacos e a do Curiri. Este eixo, formado pelas três ilhas, é a melhor opção.
Arraial do Cabo (RJ) - O Saco do Cherne é uma área extensa, em forma de ferradura, e é ótima para o mergulho raso - de 6 a 10 metros. Outra atração é o navio da marinha, que afundou em 1827. Seus destroços variam de 5 a 15 metros de profundidade, entre as duas Ilhas dos Franceses.
Fernando de Noronha (PE) - Todas as praias do lado protegido da ilha são boas para o mergulho entre os meses de abril e novembro. Air France, localizada no nordeste da ilha principal; Praia da Conceição – uma das mais visitadas -, entre março e novembro; Baía do Sancho, com acesso por uma escada de rochas; Baía do Sueste, uma das mais calmas e protegidas de Fernando de Noronha; Praia da Atalaia, com piscinas naturais de cerca de 80 centímetros durante a maré seca e uma bela fauna marinha para se observar.
Salvador (BA) – É um dos principais pontos de mergulho do país, com águas claras e quentes – com temperatura média de 26ºC e visibilidade que chega a 20 metros. Belos corais e recifes contornam seu litoral, além de pertencer a um dos lugares mais ricos em naufrágios: a chamada Baía de Todos os Santos.
Na Praia de Itapuã, por exemplo, é possível apreciar formações de corais e uma variedade de peixes coloridos e moluscos, em uma profundidade de apenas dois metros. A praia também abriga uma piscina natural – um porto seguro – ideal para a prática de mergulho livre na maré vazia.
Próximo ao Farol, a uma profundidade de 12 metros e visibilidade de 10 a 15 metros, pode-se praticar o mergulho livre, admirando os recifes de corais imersos.
À 100 metros da Praia de Boa Viagem, um carvoeiro norueguês de cerca de 80 metros pode ser visto a uma profundidade de apenas oito metros. Na mesma profundidade pode-se contemplar destroços de um navio britânico com algumas partes ainda definidas no Farol da Barra.
Abrolhos (BA) – Foi o primeiro Parque Nacional Marinho do Brasil. É um dos 10 melhores lugares para o mergulho livre do mundo, os animais marinhos e recifes podem ser vistos apenas a 15 metros de profundidade (peixes-papagaio, tartarugas, peixes-anjo etc).
A diferença de Abrolhos fica por conta dos chapeirões, formações de corais em forma de cogumelo e únicas em toda a América do Sul. O arquipélago abrange ótimos locais para mergulho, tais como: a enseada da Ilha de Santa Bárbara – no farol do arquipélago -, as cavernas das Siribas, os destroços do cargueiro italiano Rosalina, a Ilha Santa Bárbara, Manjubas, entre outros.
Guarapari (ES) - Nesta cidade, além de aproveitar as propriedades medicinais de suas areias, devido à radioatividade saudável transmitida, há praias favoráveis à prática de mergulho livre. Três Praias é o melhor lugar para o mergulho livre: um conjunto de pequenas praias separadas por rochedos faz com que a água do mar seja calma, esverdeada e transparente. A Enseada Azul, formada pelas praias de Mucumã, Guaíbura e Bacutia também é uma boa opção.
Ilha do Arvoredo (SC) – Faz parte da Reserva Biológica do Arvoredo, situada a 11 quilômetros ao Norte de Florianópolis. Por ser encontro de águas provenientes das correntes Tropical e Subtropical, há animais típicos tanto das águas quentes, como das frias. O acesso à ilha é controlado pelo IBAMA, que fiscaliza a atividade pesqueira. Por mais este motivo, as águas ao seu redor permanecem translúcidas – perfeitas para ver e fotografar as diversas espécies de peixes no mar. Além dos corais, pingüins e lobos-marinhos.
Estado do Espírito Santo - Folclore, História e Geografia
A palavra tupi "capixaba", que significa "terreno bom para a lavoura" e desde a colônia designou os naturais do Espírito Santo, parecia prenunciar a história econômica do estado, sempre beneficiado pela prodigalidade da natureza: se antes a fertilidade da terra permitiu ricas culturas de cana-de-açúcar, cacau e café, bem como a exploração das abundantes matas, a partir da segunda metade do século XX as imensas reservas de minerais do subsolo conduziram ao acelerado desenvolvimento industrial.
Estado brasileiro, situado na região Sudeste, o Espírito Santo ocupa uma área de 46.184km2 e é limitado ao norte pela Bahia, a oeste por Minas Gerais, ao sul pelo Rio de Janeiro e a leste pelo oceano Atlântico. A capital é Vitória.
A maior parte do estado caracteriza-se como um planalto, parte do maciço Atlântico. A altitude média é de 600 a 700m, com topografia bastante acidentada e terrenos arqueozóicos, onde são comuns os picos isolados, denominados pontões e os pães-de-açúcar. Na região fronteiriça com Minas Gerais, transforma-se em área serrana, com altitudes superiores a mil metros, na região onde se eleva a serra do Caparaó, ou da Chibata. Aí se ergue um dos pontos culminantes do Brasil, o pico da Bandeira, com 2.890m.
De forma mais esquemática, pode-se compor um quadro morfológico do relevo em cinco unidades : (1) a baixada litorânea, formada por extensos areais, praias e restingas; (2) os tabuleiros areníticos, faixa de terras planas com cerca de cinqüenta metros de altura, que se ergue ao longo da baixada e a domina com uma escarpa abrupta, voltada para leste; (3) os morros e maciços isolados, que despontam no litoral e, em alguns locais, dão origem a costas rochosas, cujas reentrâncias formam portos naturais, como a baía de Vitória; (4) as planícies aluviais (várzeas), ao longo dos rios, que às vezes terminam em formações deltaicas, de que é exemplo a embocadura do rio Doce; e (5), a serra, rebordo oriental do planalto brasileiro, com uma altura geral de 700m, coroada aqui e ali por maciços montanhosos, entre os quais a referida serra do Caparaó.
Ao contrário do que ocorre nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, onde constitui um escarpamento quase contínuo, no Espírito Santo o rebordo do planalto apresenta-se como zona montanhosa muito recortada pelo trabalho dos rios, que nela abriram profundos vales. A partir do centro do estado para norte, esses terrenos perdem altura e a transição entre as terras baixas do litoral e as terras altas do interior vai se fazendo mais lenta, até alcançar o topo do planalto no estado de Minas Gerais. Dessa forma, ao norte do rio Doce a serra é substituída por uma faixa de terrenos movimentados, mas de altura reduzida, em meio aos quais despontam picos, que formam alinhamentos impropriamente denominados serras.
Ocorrem no Espírito Santo dois tipos principais de climas, o tropical chuvoso e o mesotérmico úmido. O primeiro domina nas terras baixas e caracterizam-se por temperaturas elevadas durante todo o ano e médias térmicas superiores a 22º C. O tipo Am, das florestas pluviais, com mais de 1.250mm anuais de chuvas e com uma estação seca pouco pronunciada, ocorre no litoral norte, no sopé da serra e na região de Vitória; o tipo Aw, com cerca de 1.000mm de chuva e estação seca bem marcada, ocorre no resto das terras baixas.
O clima mesotérmico úmido, sem estação seca, surge na região serrana do sul do estado. Caracteriza-se por temperaturas baixas no inverno (média do mês mais frio abaixo de 18o C). Observam-se, entretanto, bruscas alterações climáticas.
Os principais rios do estado são, de norte para o sul, o Itaúna, o São Mateus, o Doce e o Itapemirim, que correm de oeste para leste, isto é, da serra para o litoral. O mais importante deles é o Doce, que nasce em Minas Gerais e divide o território espírito-santense em duas partes quase iguais. Em seu delta formam-se numerosas lagoas, das quais a mais importante é a de Juparanã.
A floresta tropical revestiu outrora todo o território estadual. Com as sucessivas devastações que sofreu, extinguiu-se quase completamente na parte sul do estado, área de ocupação mais antiga. Aí, a busca de solos virgens por parte dos agricultores e a extração de lenha e de madeira de lei determinaram a proliferação de campos de cultura, pastagens artificiais e capoeiras. Apenas no norte do estado, onde ainda se desenvolve o processo de ocupação humana, podem ser encontradas algumas reservas florestais. A serra do Caparaó, local outrora revestido pela mata atlântica, hoje está totalmente devastada, e só apresenta vegetação campestre acima dos mil metros de altitude.
A população do estado concentra-se na porção meridional. As principais cidades, além de Vitória, capital do estado, e sua vizinha Vila Velha, já inteiramente conurbadas, são Cachoeiro de Itapemirim, Colatina e Linhares. A microrregião mais populosa é a de Vitória, com cerca de 35% da população, e a menos populosa é a do Alto São Mateus, no norte do estado, com apenas três por cento.
Há uma forte migração do campo para as zonas de maior concentração urbana ou para outros estados, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo. Em meados do século XIX houve grande afluência de colonos estrangeiros, suíços, italianos, alemães e de outras procedências, de tal forma que a colônia de Santa Leopoldina e Santa Isabel formavam um mosaico de nacionalidades.
O produto agrícola tradicional do estado é o café, cultura que orientou a ocupação de praticamente todo o território capixaba. Após uma fase de decadência no estado, o café recuperou uma posição de relativo destaque nacional. Seguem-se a ele, em ordem de importância, as culturas de milho, banana, mandioca, feijão, arroz e cacau.
A criação de bovinos serviu-se de solos virgens no norte do estado, em terrenos desmatados. Nessa área cria-se e engorda-se gado de corte, e ali desenvolveu-se a indústria frigorífica, cuja carne é enviada principalmente para o Rio de Janeiro, além de abastecer a região de Vitória. No sul pratica-se muito a pecuária leiteira, e o leite é comercializado, por meio de cooperativas, nos mercados do Rio de Janeiro e Vitória.
De desenvolvimento mais recente são a silvicultura e a fruticultura, com aproveitamento para conservas de frutas e para a produção de celulose, destacando-se nessa última atividade alguns projetos de reflorestamento, que poderão compensar em parte o desmatamento avassalador sofrido pelo estado.
Nos centros urbanos da capital e de Cachoeiro de Itapemirim concentram-se praticamente todas as principais unidades da indústria de transformação capixaba. Na grande Vitória localizam-se as indústrias siderúrgicas: Companhia Ferro e Aço de Vitória, usina de pelotização de minério de ferro da Companhia Vale do Rio Doce; madeireira, têxtil, de louças, de café solúvel, de chocolates e frigorífica. No vale do rio Itapemirim, desenvolvem-se indústrias de cimento, de açúcar e álcool e de conservas de frutas.
O subsolo do estado é rico em minerais, inclusive petróleo. Há consideráveis reservas de calcário, mármore, manganês, ilmenita, bauxita, zircônio, monazitas e terras raras, embora nem todas em exploração. No extrativismo mineral, destaca-se a exploração, na área de Cachoeiro de Itapemirim, de reservas de mármores, calcário e dolomita.
A Estrada de Ferro Vitória-Minas escoa minério de ferro de Itabira MG até o porto de Tubarão, e volta com carvão para siderurgia. Também faz transporte de passageiros e carga geral no vale do rio Doce. A RFFSA 7ª Divisão-Leopoldina serve ao sul do estado e comunica Vitória com o estado do Rio de Janeiro. As principais rodovias são a BR-101, que corta o estado de norte a sul, pelo litoral, e a BR-262, que liga Vitória a Belo Horizonte MG e ao extremo oeste do país. Outras rodovias importantes são a BR-482, que atravessa Alegre e Jerônimo Monteiro e entronca com a BR-101 no distrito de Safra; e a BR-342, que liga Ecoporanga a Nova Venécia, no norte do estado.
O estado possui dois portos, ambos na capital: o cais comercial de Vitória e o porto de exportação de minério de ferro de Tubarão.
Em 23 de maio de 1553, o fidalgo português Vasco Fernandes Coutinho, veterano das campanhas da África e da Índia, aportou em terras da capitania, que lhe destinara o rei D. João III. Como era um domingo do Espírito Santo, chamou de vila do Espírito Santo a povoação que mandou construir nas terras que lhe couberam: cinqüenta léguas de costa, entre os rios Mucuri e Itapemirim, com outro tanto de largo, sertão adentro, a partir do ponto em que terminava, ao norte, o quinhão concedido a Pero de Campos Tourinho, donatário da capitania de Porto Seguro. A Vila do Espírito Santo é hoje a cidade de Vila Velha. Ainda em 1535, a vila passou à capitania, em 1822 a província e em 1889 a estado.
A fixação da vila foi uma história de lutas, pois os selvagens não entregaram aos portugueses, sem resistência, suas roças e malocas. Recuaram até a floresta, onde se concentraram para iniciar uma luta de guerrilhas que se prolongou, com pequenas tréguas, até meados do século XVII.
No governo do novo donatário, o comércio e a lavoura se desenvolveram, mas foi totalmente frustrado o motivo principal da compra da capitania: o descobrimento das "pedras verdes" - as esmeraldas. Essa busca começara por iniciativa do governo-geral. As expedições iniciais, denominadas por alguns historiadores "ciclo espírito-santense", incluem-se na categoria das entradas. Na verdade, o ciclo limitou-se a poucas expedições relevantes, cuja importância está menos nos resultados obtidos, do que na dinamização do interesse pela área e em um maior conhecimento do interior.
Em 1810 a capitania tornou-se autônoma em relação à Bahia, e passou a depender diretamente do governo-geral. .
O período colonial encerrou-se sob melhores auspícios. Consolidara-se a ocupação do território e ampliara-se a base demográfica. Em face das dificuldades enfrentadas, esses dados revelam um progresso nada desprezível.
Durante o movimento de independência, em março e abril de 1821, ocorreram várias comoções políticas no Espírito Santo, enquanto se procedia à escolha de seus representantes às cortes de Lisboa. Após a proclamação da autonomia brasileira, foi dado total apoio à nova realidade política, e em 1º de outubro de 1822, reconhecido imediatamente D. Pedro na condição de imperador do Brasil.
O governo provincial enfrentou séria crise econômica nos primeiros anos da década de 1820, ocasionada pelo estrangulamento da produção agrícola em razão da prolongada estiagem. Mesmo assim, iniciou a cultura cafeeira. Para tanto, incentivou o aproveitamento de terras por colonos estrangeiros, o que se deu simultaneamente à chegada de fazendeiros fluminenses, mineiros e paulistas. A exemplo das demais províncias do sul, no Espírito Santo essa experiência colonizadora baseou-se na pequena propriedade agrícola, que logo se estendeu ao longo da zona serrana central, em contraste com as áreas do sul daquela região, onde predominava a grande propriedade.
Em 1846 fundou-se a colônia de Santa Isabel (Campinho) com imigrantes alemães de Hunsrück e em 1855 uma sociedade particular - depois encampada pelo governo - criou a colônia do Rio Novo com famílias suíças, alemãs, holandesas e portuguesas. Entre 1856 e 1862 houve considerável afluência de imigrantes alemães para a colônia de Santa Leopoldina, que tinha por sede o porto de Cachoeiro de Itapemirim, no rio Itapemirim, a cinqüenta quilômetros da foz, no sul do estado. Rapidamente as antigas áreas de pastoreio pontilharam-se de pequenos estabelecimentos agrícolas, que demonstraram grande força expansiva. As colônias de Santa Isabel e Santa Leopoldina, por exemplo, criaram desdobramentos através de todo o planalto, entre os rios Jucu e Santa Maria, e mais tarde atravessaram o rio Doce.
No processo de colonização enfrentaram os imigrantes, a par de outras dificuldades, o sério problema indígena na região do rio Doce. Malgrado os esforços de aldeamento e as tentativas de utilização de sua mão-de-obra, sucediam-se os choques com os colonos, e chegou mesmo a verificar-se grave contenda entre índios e moradores de Cachoeiro de Itapemirim, como elevado número de mortos e feridos, em 1825.
Na república, o estado concorreu eficazmente para o progresso do país. Os canaviais haviam sido substituídos pelos cafeeiros. Ainda não tinha sido fundada nenhuma usina. Os engenhos centrais pouco a pouco desapareciam. Além de fazendeiros capixabas, que passam a cultivar o café, vieram também, com o mesmo propósito, fluminenses, mineiros e até paulistas, como o barão de Itapemirim. Graças ao trabalho profícuo desses colonos, quando se aboliu a escravidão dos negros - o que derrocou as grandes fazendas, de imediato ou não - a economia do Espírito Santo resistiu e proporcionou aos seus presidentes, depois de proclamada a república, os meios necessários para empreendimentos como a construção de estradas de ferro, expansão do ensino e organização de planos urbanos; instalação de água, luz, esgoto, bondes elétricos, de um parque industrial, de uma usina elétrica e de uma usina de açúcar em Cachoeiro de Itapemirim e na vila de Itapemirim, de uma fazenda-modelo em Cariacica, além de reforma da instrução pública e construção de grupos escolares e de pontes entre Vitória e o litoral e Colatina e o norte do rio Doce. Essas e outras obras foram realizadas com recursos provenientes sobretudo do café produzido pelas colônias de emigrantes europeus organizadas desde a monarquia.
Com a irradiação ferroviária que o café suscitou em meados do século XIX, o Espírito Santo beneficiou-se da rede de leitos, cujo centro estava em Campos dos Goitacases e que estabelecia comunicações entre duas importantes áreas cafeeiras: a Zona da Mata, em Minas, e o sul capixaba. Apesar de situada fora da região de cultivo, a cidade de Vitória foi a que mais progrediu sob o surto daquela lavoura, e já em 1879 processaram-se os primeiros estudos destinados à construção do porto, que deveria escoar toda a produção da província. Atendendo às novas exigências, em meados do século começou a funcionar a imprensa capixaba.
Em 1850 a configuração territorial do Espírito Santo já assinalava a existência de dez municípios: Vitória, Serra, Nova Almeida, Linhares, São Mateus, Espírito Santo, Guarapari, Benevente (hoje Anchieta) e Itapemirim. Pouco antes a província perdera parte de suas terras, em virtude da desanexação de Campos dos Goitacases e São João da Barra, restituídas ao Rio de Janeiro em 1832.
No final do século, os capixabas, sobretudo a intelectualidade, aderiram ao movimento abolicionista. A exemplo do que aconteceu nas demais províncias, surgiram associações ligadas à emancipação. Durante a propaganda, evocava-se a crueldade dos castigos infligidos aos escravos, como sucedera após a insurreição de cerca de 200 negros no distrito de Queimados, em 1849.
A abolição da escravatura, no entanto, conduziu os grandes proprietários à ruína, em virtude da privação da tradicional mão-de-obra. Assim, com o advento da república, o primeiro governador do estado não encontrou condições materiais para levar a efeito os planos preconizados pela propaganda republicana. As finanças da antiga província encontravam-se exauridas.
Ainda no final do século XIX, coincidindo com a fixação da constituição estadual (1891 e 1892), o governador eleito recorreu a reformas e incentivos econômicos que deram novo impulso ao estado. A fim de assegurar uma receita mais sólida, levantou empréstimos externos, que favoreceram a lavoura cafeeira e permitiram maiores investimentos agrícolas. O Espírito Santo obteve assim uma arrecadação cinco vezes mais alta que a da antiga província. Efetuou-se o saneamento de Vitória e em 1895 foi inaugurado o primeiro trecho da Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo, entre Porto de Argolas e Jabaeté.
A ocupação do norte do Espírito Santo só começou nas primeiras décadas do século XX, e ganhou novo impulso depois da construção da ponte de Colatina sobre o rio Doce, inaugurada em 1928. A economia capixaba contou com a migração de contingentes do sul e do centro do país para aquela área, e assim firmou-se o cultivo do café, que respondeu por 95% da receita em 1903. Durante a primeira guerra mundial, o porto de Vitória figurava como o segundo grande exportador nacional.
A capital conta com inúmeras bibliotecas. Em Cachoeiro de Itapemirim destacam-se as Bibliotecas Municipal e da Casa dos Braga - pequeno museu dedicado aos irmãos escritores Newton e Rubem Braga, na casa onde nasceram.
Na capital, o museu mais importante é o de Arte e História, antigo Museu Histórico, desde 1966 afeto à Universidade Federal do Espírito Santo. A seção de história funciona no Solar de Monjardim, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e antiga Casa-Grande da Fazenda, hoje bairro de Jacutuquara. A seção de arte religiosa está instalada na capela de Santa Luzia (século XVI) e possui peças que datam da fundação do templo. O Museu Folclórico, instalado na capela de Nossa Senhora das Neves, é também administrado pela UFES. Em Santa Teresa, há o Museu Melo Leitão, fundado pelo famoso naturalista capixaba Augusto Ruschi em sua própria casa, onde há também uma das mais completas bibliotecas do mundo especializada na fauna e na flora do país. Muitos outros municípios do interior mantêm também pequenas bibliotecas.
O teatro mais importante da capital é o Teatro Carlos Gomes, inaugurado em 1927 e modernizado em 1970, com 311 poltronas e 40 camarotes.
São tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional os seguintes monumentos: a igreja de Nossa Senhora da Assunção (1587) e residência anexa, em Anchieta, onde viveu o padre José de Anchieta; a igreja de Nossa Senhora da Ajuda, em Viana; a igreja dos Reis Magos (1558) e residência anexa, em Nova Almeida, município da Serra. Em Vitória, encontram-se o Solar de Monjardim, a igreja de São Gonçalo Garcia (1766), a igreja de Nossa Senhora do Rosário (1765) e a igreja de Santa Luzia (1547). Em Vila Velha, o famoso convento e igreja de Nossa Senhora da Penha, situado a 135m de altura sobre a entrada da baía de Vitória, e a igreja matriz de Nossa Senhora do Santo Rosário, todos do século XVI.
Em Vitória, as festas populares tradicionais mais marcantes são as de Nossa Senhora da Penha, os festejos de Santo Antônio, em 13 de junho, de São Pedro dos Pescadores, na praia do Suá, em 29 de junho, e de Nossa Senhora da Vitória, em 8 de setembro. Em Guarapari, realiza-se a festa de Nossa Senhora da Conceição, em 8 de outubro, e o alardo, realizada no ciclo de Natal ou nos dias 19 e 20 de janeiro. Em Cachoeiro de Itapemirim, o Dia de Cachoeiro, 29 de junho, é comemorado com uma semana de eventos que incluem exposição agropecuária, bailes, shows populares, desfiles e caxambu da ilha da Luz. Em várias cidades e aldeias litorâneas, como Guarapari, Marataíses, Anchieta, Piúma e Conceição da Barra, o dia de São Pedro, 29 de junho, padroeiro dos pescadores, é comemorado também com procissões marítimas. Em Conceição da Barra, há a festa do Reis de Bois, no ciclo natalino.
Pontos
Turísticos
As praias de areia
monazítica de Guarapari, recomendadas para o tratamento de
reumatismo e artrose, e o convento de Nossa Senhora da Penha, em Vila
Velha, são as maiores atrações turísticas do estado. Em Vitória,
destacam-se o palácio Anchieta, sede do governo estadual; as igrejas
tombadas de Santa Luzia, do Rosário e de São Gonçalo Garcia; o
Parque Moscoso, com concha acústica para 400 espectadores sentados;
o porto, com seu terminal de minério; as praias: Comprida, Suá,
Camburi e do Canto; as duas pontes entre a capital e o continente.
A costa capixaba é margeada de belas praias, muito freqüentadas no verão, destacando-se Marataíses, Guarapari, Piúma, Iriri, Anchieta e Conceição da Barra, onde se situam as famosas dunas da barra do rio Itaúnas.
As serras capixabas também possuem pontos de grande atração turística, destacando-se Domingos Martins, Santa Teresa e Rio Novo. No interior, junto à divisa com Minas Gerais, encontra-se o Parque Nacional do Caparaó. O pico do Itabira e as pedras do Frade e da Freira (310m), em Cachoeiro de Itapemirim, são a marca registrada da cidade, onde se pode visitar também a tradicional fábrica de pios de pássaros em madeira.
O prato típico mais conhecido do estado é a torta capixaba, feita tradicionalmente nas casas de Vitória durante a semana santa, mas também servida durante todo o ano aos turistas nos melhores restaurantes da capital. Destaca-se ainda a moqueca capixaba, de peixes e frutos do mar cozidos em panelas de barro artesanais, ao molho de urucum.
Ilhéus - Bahia
A riqueza do cacau transformou Ilhéus em eldorado no início do século XX, e as sangrentas disputas pela posse da terra forneceram o tema de vários romances de Jorge Amado.
Ilhéus localiza-se no sul da Bahia, na melhor zona cacaueira do país. Com altitude de 52m, fica a 462km de Salvador e é banhada pelos rios Almada e Cachoeira. A vila de São Jorge de Ilhéus foi fundada em 1534 pelo espanhol Francisco Romero, lugar-tenente do donatário Jorge de Figueiredo Correia. Em meados do século XVIII o francês Louis Warneau levou o cacau para o sul da Bahia. Plantado inicialmente no município de Canavieiras, chegou em 1772 a Ilhéus, onde se aclimatou à perfeição, graças ao clima quente e úmido (índices pluviométricos anuais de 1.500 a 2.000mm) e à riqueza do solo. Em 1881 Ilhéus foi elevada à categoria de cidade.
O porto, inaugurado em 7 de setembro de 1920, serve de escoadouro a quase toda a produção regional do cacau, produto que ainda é a base da economia local e cujo cultivo é promovido pelo Centro de Pesquisa do Cacau (Ceplac). Outra importante atividade econômica atualmente é o turismo, que gerou a construção de luxuosos centros de lazer. Dentre os monumentos coloniais, merece destaque a igreja de São Jorge (1556).
A Simples Diversidade da Cultura Brasileira
Para desmistificar a cultura popular brasileira é preciso saber que os artistas populares não estão apenas no Nordeste do Brasil e que também não é verdade que no Norte-nordeste se encontra a maior parte dessas manifestações. O que acontece no Sudeste, no Centro-oeste e no Sul é apenas um maior massacre desses artistas, suas comunidades e suas manifestações culturais. Durante muito tempo o Nordeste recebeu o rótulo de povo atrasado, preguiçoso e primitivo, se veiculou e se estabilizou a idéia que cultura popular das boas só tem em Pernambuco, Maranhão, Alagoas e Sergipe. Esse é só mais um mito de um país sem projeto de nação que só prioriza a estética da elite, e não percebe que nossa força está na diversidade.
A história nos mostra a força dessas comunidades quando elas se articulam e lutam por suas expressões. Os resultados de inclusão social e conquista de direitos são marcantes e influenciam positivamente o conjunto da sociedade. É muito comum a estética elitista influenciar e educar mal algumas comunidades, levando a um decréscimo nos níveis educacionais e de auto-estima. Muitas vezes, a elite tenta colocar embalagens na cultura popular ou reduzi-la a uma peça de museu e objeto de estudo e pesquisa. Dessa forma ela se utiliza das culturas populares para enriquecer seu próprio conteúdo e depois anuncia que aquele conteúdo é uma fusão de primitividade e contemporaneidade, perpetuando a idéia de que aqueles pobrezinhos são capazes apenas de servirem a eles como inspiração e mais nada. A comida dos escravos hoje é comida de restaurantes da elite brasileira, mas que mantêm seus descendentes nas cozinhas, garantindo o conteúdo.
É urgente que os brasileiros invistam de forma universal na valorização dessas comunidades e que o resultado dessa valorização seja primeiramente consumido por essas próprias comunidades. Temos pouco consenso em nosso país, e temos que partir de algo que possibilite sairmos dessa barbárie social e cultural que está transformando o Brasil num país de multidões de excluídos e sem direitos.
Um tesouro maravilhoso que a natureza nos deu e que só fazemos delapidar, mistificar, tratar como mero coadjuvante de nossa formação e não tornamos essa riqueza como fator estratégico para o nosso desenvolvimento. Precisamos sentir mais e teorizar menos para aprendermos a trabalhar com a cultura popular.
A criação musical brasileira é alimentada pela riqueza rítmica, melódica, poética, coreográfica e cênica das manifestações tradicionais que são compostas de elementos musicais das culturas antigas européias, árabes, africanas e ameríndias.
Ignorando a nós mesmos, fica difícil o Brasil crescer com justiça social. Porém isso pode mudar, agindo menos como universitários e mais como pessoas, seremos capazes de criar nossas pontes e sair da zona isolada do mundo.
O Rio Amazonas
O Rio em que os fatos são tão assombrosos quanto as lendas, o Amazonas fertiliza uma região de quase seis milhões de quilômetros quadrados, equivalente a mais de metade da Europa: se a Amazônia é "o pulmão do mundo", sua artéria principal é o rio Amazonas. Há ainda controvérsias sobre sua nascente, o que dá grandes variações à extensão total. A hipótese atualmente mais aceita apresenta como primeiros lances de sua formação os cursos d'água andinos (e peruanos) Apurimac-Ucayali. Com base nisso, a Carta Aeronáutica Mundial deu ao Amazonas, daí à foz, o comprimento de 6.571km, pouco menor que o do Nilo, consagrado em torno de 6.670km. Uma outra versão localiza o nascedouro em um ponto mais a sudeste e acha 7.025km de percurso. Seja como for, é difícil afirmar com segurança o comprimento do Amazonas.
Pouco característico em seus começos, o rio principia a assumir sua identidade perto de Iquitos, no Peru, onde se encontram o Ucayali e o Marañón, os dois grandes braços alternativos. É quando toma sua definitiva direção oeste-leste, correndo quase sempre a menos de 5o de latitude sul. Seu declive é mínimo, avançando serenamente pela mais ampla várzea do planeta. De Benjamin Constant, na fronteira entre o estado do Amazonas e o Peru, até a ilha de Marajó, o Amazonas só desce 65m em três mil quilômetros (em cada quilômetro, é de 20mm o gradiente médio).
O curso médio do Amazonas depende de se tomar o Marañón ou o Ucayali como principal formador. No primeiro caso, inicia em Pongo de Manseriche, no segundo, em Contamana, ambas pequenas cidades do Peru. Daí vai até Óbidos, a mil quilômetros da foz, onde já se notam efeitos das marés. Além do Peru, marcado quase de ponta a ponta pelas duas tortuosas vertentes da primeira parte do rio, o norte do Brasil (estados de Amazonas e Pará) constitui o imenso território onde o rio se expande, formando a maior bacia hidrográfica da Terra (5.846.100km2), que alcança ainda trechos da Colômbia, Bolívia, Equador, Venezuela e Guianas. Além dos nomes que recebe no Peru, dentro do próprio Brasil, o Amazonas é conhecido por outro nome, o de Solimões, mais ou menos entre Benjamin Constant e Manaus.
Sua descarga, vazão ou volume de água, é também, de longe, a maior que se conhece. Em 1963, o United States Geological Survey, associado à Universidade do Brasil e à Marinha de Guerra, mediu a vazão em Óbidos: 216.342m3 por segundo, doze vezes a do Mississippi, mais de vinte vezes a do Nilo. Vale notar que, depois de Óbidos, o Amazonas recebe as águas do Tapajós e do Xingu, na margem direita, do Maicuru, Paru e Jari, na margem esquerda.
São aspectos igualmente curiosos os registros de velocidade, largura e navegabilidade. A velocidade média, no médio e baixo cursos, é de 2,5km por hora, mas em Óbidos, onde o rio tem sua passagem mais estreita em território brasileiro (2.600m), a velocidade chega a oito quilômetros por hora. A largura é outra das medidas de cálculo difícil, por causa das muitas ilhas que se formam no leito, dando origem a uma subdivisão das águas em vários braços ou "paranás". Sem ilhas de permeio, um dos trechos reconhecidamente mais largos fica uns vinte quilômetros antes da foz do Xingu e mede 13km. Mas, nas épocas de cheia, muitas passagens vão além de cinqüenta quilômetros de largura. Tudo ali é variável e dinâmico demais. Em altura, entre o nível máximo das enchentes (junho) e mais baixo da vazante (outubro-novembro), a oscilação é de 10,5m.
O Amazonas é um rio generosamente navegável. Nos 3.700km que vão da embocadura à cidade de Iquitos, sua profundidade (às vezes mais de cinqüenta metros) lhe permite receber navios de alto-mar. Muitos de seus afluentes são também navegáveis, de modo que o transporte hidroviário é um dos mais fáceis da região e permanece subexplorado em todos os planos: da quantidade, da qualidade, dos recursos tecnológicos empregados com esse objetivo. Bem programado, é o meio ideal no que diz respeito à proteção da natureza.
Entre os afluentes do Amazonas há também muitos rios colossais. O Madeira é um dos vinte maiores do mundo; o Purus, o Tocantins e o Juruá estão entre os trinta principais. Em toda a rede desses afluentes, no Brasil, sobressaem, pela margem direita, o Javari, Juruá, Purus, Madeira, Tapajós e Xingu; pela margem esquerda, Içá, Japurá, Negro, Trombetas, Paru e Jari.
O estuário do rio Amazonas tem duas partes, pelo menos: o canal do Norte, mais largo, e o do Sul, conhecido ainda pelos nomes de rio Pará e baía de Marajó. De um a outro lado dos dois canais a distância é de cerca de 150km. Se se considera o estuário até a costa leste da ilha de Marajó, a medida é o dobro, girando em torno de 300km. Na verdade há mais corredores para a saída do rio. São os chamados furos de Breves, uma série de canais naturais a sudoeste da ilha de Marajó, por onde as águas se distribuem, se filtram, como se fossem muitos e cuidadosos os preparativos para entrar no oceano. Adiante surgem as ilhas: além da Marajó, a Grande de Gurupá, a Caviana, a Mexiana, a Janaucu, a Queimada etc.
O Amazonas apresenta ainda vários fenômenos muito curiosos. No baixo curso, o mais famoso é o da chamada pororoca, encontro violento das águas do rio com as do mar, com estrondo que se ouve a quilômetros de distância. As ondas sobem abruptamente e depois descem em sucessão sobre as praias, tornando perigosa a navegação. Acontece principalmente em outubro, quando as condições do rio e do mar, águas baixas e maré alta, são propícias.
Algo semelhante ocorre nas proximidades de Manaus, quando os rios Negro e Amazonas se encontram: embora não se dê a explosiva luta da pororoca, os dois custam muito a se misturar e, como suas cores são bastante diferentes, vê-se a dificuldade com que o Negro deságua, infiltrando-se aos poucos no Amazonas. As marés de água doce também são intrigantes. Ocorrem em diversos rios que acabam no mesmo estuário amazônico, e duas vezes por dia, dada a variação do nível do mar.
Perfeitamente conhecido, e às vezes apavorante, é o fenômeno das terras caídas, conseqüência evidente da formidável força e predomínio das águas em toda a Amazônia: as margens são solapadas e subitamente sai da terra uma nova ilha levada pelo rio, muitas vezes com seus animais ou moradores, uma parte do gado ou instalações e casas. Mais recente é a pesquisa sobre as cores dos rios da Amazônia: há rios "brancos" ou amarelos, alaranjados, de forte castanho-escuro, verdes, negros, transparentes. A explicação está nos compostos químicos (orgânicos e inorgânicos) que prevalecem nos lugares por onde passam. O Amazonas, de um modo geral, é dos "brancos", barrento claro, ao menos em sua viagem pela planície.
Suas águas tingem as do oceano até cerca de 200km da costa, reduzindo a salinidade. Por isso o espanhol Vicente Pinzón, que em 1500 teria chegado à foz, denominou-o Mar Dulce. Em 1542 Francisco Orellana desceu o rio a partir do Peru. Quer por causa de um ataque de índios de cabelos longos, quer por acrescentar a seu relato de viagem a fantasia das mulheres guerreiras, referiu-se ao rio como das Amazonas, permanecendo esse nome para sempre.
A Imigração no Brasil
A marca da imigração no Brasil pode ser percebida especialmente na cultura e na economia das duas mais ricas regiões brasileiras: Sudeste e Sul.
A colonização foi o objetivo inicial da imigração no Brasil, visando ao povoamento e à exploração da terra por meio de atividades agrárias. A criação das colônias estimulou o trabalho rural. Deve-se aos imigrantes a implantação de novas e melhores técnicas agrícolas, como a rotação de culturas, assim como o hábito de consumir mais legumes e verduras. A influência cultural do imigrante também é notável.
A imigração teve início no Brasil a partir de 1530, quando começou a estabelecer-se um sistema relativamente organizado de ocupação e exploração da nova terra. A tendência acentuou-se a partir de 1534, quando o território foi dividido em capitanias hereditárias e se formaram núcleos sociais importantes em São Vicente e Pernambuco. Foi um movimento ao mesmo tempo colonizador e povoador, pois contribuiu para formar a população que se tornaria brasileira, sobretudo num processo de miscigenação que incorporou portugueses, negros e indígenas.
Imigração portuguesa - A criação do governo-geral em 1549, atraiu muitos portugueses para a Bahia. A partir de então, a migração tornou-se mais constante. O movimento de portugueses para o Brasil foi relativamente pequeno no século XVI, mas cresceu durante os cem anos seguintes e atingiu cifras expressivas no século XVIII. Embora o Brasil fosse, no período, um domínio de Portugal, esse processo tinha, na realidade, sentido de imigração.
A descoberta de minas de ouro e de diamantes em Minas Gerais foi o grande fator de atração migratória. Calcula-se que nos primeiros cinqüenta anos do século XVIII entraram, só em Minas, mais de 900.000 pessoas. No mesmo século, registra-se outro movimento migratório: o de açorianos para Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Amazônia, estados em que fundaram núcleos que mais tarde se tornaram cidades prósperas.
População Indígena - Os colonos, nos primeiros tempos, estabeleceram contato com uma população indígena em constante nomadismo. Os portugueses, embora possuidores de conhecimentos técnicos mais avançados, tiveram que aceitar numerosos valores indígenas indispensáveis à adaptação ao novo meio. O legado indígena tornou-se um elemento da formação do brasileiro. A nova cultura incorporou o banho de rio, o uso da mandioca na alimentação, cestos de fibras vegetais e um numeroso vocabulário nativo, principalmente tupi, associado às coisas da terra: na toponímia, nos vegetais e na fauna, por exemplo. As populações indígenas não participaram inteiramente, porém, do processo de agricultura sedentária implantado, pois seu padrão de economia envolvia a constante mudança de um lugar para outro. Daí haver o colono recorrido à mão-de-obra africana.
Elemento africano - Surgiu assim o terceiro grupo importante que participaria da formação da população brasileira: o negro africano. É impossível precisar o número de escravos trazidos durante o período do tráfico negreiro, do século XVI ao XIX, mas admite-se que foram de cinco a seis milhões. O negro africano contribuiu para o desenvolvimento populacional e econômico do Brasil e tornou-se, pela mestiçagem, parte inseparável de seu povo. Os africanos espalharam-se por todo o território brasileiro, em engenhos de açúcar, fazendas de criação, arraiais de mineração, sítios extrativos, plantações de algodão, fazendas de café e áreas urbanas. Sua presença projetou-se em toda a formação humana e cultural do Brasil com técnicas de trabalho, música e danças, práticas religiosas, alimentação e vestimentas.
Espanhóis, franceses, judeus - A entrada de estrangeiros no Brasil era proibida pela legislação portuguesa no período colonial, mas isso não impediu que chegassem espanhóis entre 1580 e 1640, quando as duas coroas estiveram unidas; judeus (originários sobretudo da península ibérica), ingleses, franceses e holandeses. Esporadicamente, viajavam para o Brasil cientistas, missionários, navegantes e piratas ingleses, italianos ou alemães.