Excerpt for Conexão Prometeu, O Homem Dividido by J. Pinoli, available in its entirety at Smashwords


 J PINOLI

Conexão Prometeu

O HOMEM DIVIDIDO

Conexão Prometeu

O HOMEM DIVIDIDO

By J PINOLI

Published by Editorial Emooby at Smashwords

© Copyright 2011 Editorial Emooby

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O

ENTENDIMENTO

REFLETE

A

DIMENSÃO

DA

LIBERDADE

PRESENTE

EM

SUA

ARQUITETURA.

ÍNDICE

PREFÁCIO

1. PRÓLOGO

2. ELOS DO AMANHECER

3. ELOS DA CIRCUNSTÂNCIA

4. ELOS DO DESEJO

5. ELOS DA POSSE

6. ELOS DA AÇÃO

7. EPÍLOGO POSFÁCIO

PREFÁCIO

Do método Ao verso

A LIBERDADE tem sido um propósito mais requerido do que vivenciado. Poucos consideram como foram afetados em seu destino, por conta da recepção passiva de inputs que alimentaram o sistema psico-cultural em que se transformaram, ao cabo de um processo de construção, não raro contaminado pela manipulação subjacente às corporações, onde o homem inclinado à dominação destila seu egoísmo e sua arrogância, demolindo a liberdade.

Assim, no geral, cada um termina sendo um tanto de si mesmo e muito do sistema mentor, a depender de quão presentes foram seu espírito crítico e seu estado de alerta. Logo, não basta apenas ponderar sobre a face visível da liberdade relacionada com o direito e a política. Há muito mais: um estado inerente à evolução, que interage com manifestações de existência presentes do germinar de uma semente ao despertar de uma estrela.

Distanciado do refinado arsenal da filosofia, quer este ensaio destacar a face oculta da liberdade, segundo a perspectiva da escolha que afeta indistintamente o ser humano, cuja construção tem por base, um prelúdio de sujeições trazidas ao berço para suprir sua incapacidade inicial – sujeições estas, que mais adiante despontam como estigmas significativos de um constrangimento primordial, fonte de condutas futuras, revisáveis pelo efetivo exercício do arbítrio, reproduzindo, de certo modo, um procedimento de realimentação, que não interessa à tendência conservadora das corporações com poder.

Vislumbrar a inteligência de questão que permeia toda a vida, exige considerar os episódios relevantes e identificar na vivência interna e externa do homem, as dimensões objetiva e subjetiva da liberdade, referentes à sua experiência exterior como ente sociológico, ator político e sujeito de direito, e à sua experiência interior como ente psicológico, herdeiro de sangue, de tradições, ídolos, noções e valores, oriundos de seu ambiente biológico e cultural.

Expor toda esta dinâmica, poderia ser objeto de um árido tratado, que não sensibilizaria tanto quanto a opção por versos que refletissem impressões subjetivas, emoções, sentimentos e estados de alma, como se preferiu para comunicar este entendimento, que toma o título geral de – Conexão Prometeu, reportando a instantes em que ideais, mitos e fatos conectados em vocações, como as de Prometeu, Buda e Jesus, orientaram a busca de uma liberdade espiritual fora do alcance dos confinamentos políticos, culturais e religiosos.

Para conduzir a trama que ora se desenvolve, concorre um diálogo reverente entre um personagem terreno, que busca entender o enigma da liberdade, e uma mensageira celestial que revela os riscos de sedução, presentes em cinco verbos, destacando-os como fonte dos elos que confinam – mais do que o corpo – a alma humana.

Em foco, a plenitude da LIBERDADE,

portanto

– que fale a filosofia à razão e a poesia, ao coração.

1. PRÓLOGO

1.1

Do panteon dos mistérios siderais,

Onde emanações do Grande Sol Central

Postam-se como guardiães das virtudes

Que conduzem à humana ascensão,

Algum ente consagrado à Liberdade,

Por indulgência e afeição,

Ouvindo meus clamores,

Há de vir da eternidade

Trazer-me inspiração

E afastar os meus temores.

1.2

— Ó Liberdade!

Venho mundo afora te buscando,

E aqui, nesta planície iluminada,

Onde a verdejante vida se inclina,

Reverenciando a brisa fresca

Que desliza em seu dorso ondulado,

Tenho, por certo, estar em teus domínios.

E, assim pois, longe dos olhares e

Do bulício frenético da cidade grande,

Venho a ti clamar:

1.3

Dá-me asas abarcantes

E faze-me pairar

Tão alto que a fímbria de meu manto

Não pressinta a névoa úmida

Que se eleva do mar de ismos

Que divide o destino humano.

1.4

Dá-me o olhar penetrante do condor

Para ver além do confronto e,

Se me faltar elevação ou mérito

Para beber no brilho intenso de teu foco,

Permite-me, por mínimo,

Vislumbrar o halo que sobeja de tua fronte.

1.5

Ó Liberdade!

Ampara aquele que te ousa buscar.

Estende tua mão... Mas vê!

Perdoa-o já!

Ele mora na Terra da Porta

Com Cadeado de Chave,

Cujo misterioso segredo,

Meu Deus...! Ninguém sabe...!

1.6

Não permitas, ao te encontrar,

Que proceda como tantos

Que te cantam, te dizem, te amam,

Mas só conhecem cada transitória máscara

Que te serve no carnaval da história.

Suspeito... Que o labirinto de Creta

Foi antiga advertência

Aos que tentaram te buscar.

1.7

E agora,

Cercado de tanto erro e tanto medo,

Vendo o teu nome falseado

E tanto sangue em vão derramado,

Chego também a temer

E receio teu enigma decifrar.

1.8

Ó Liberdade!

Ampara aquele que te ousa buscar.

Ele mora na Terra da Porta

Com Cadeado de Chave,

Cujo misterioso segredo,

Meu Deus...! Ninguém sabe...!

1.9

Calei a mente febril.

Deixei perder-se a vista

Sob a luminosidade difusa

Da vastidão sossegada,

Almejando salvadora musa.

1.10

Então, bem refrescante aragem

Carregada de aroma celeste

Sacramentou aquela paragem,

Furtando-me do devaneio agreste

1.11

Branda, compassada e feminina voz

Vinda do distante fundo da planície,

Onde o céu e a terra confabulam,

Disse, melodiando a quietez da hora:

1.12

— Engano vosso, viajante do tempo!

Muito longe estais dos meus paços

Aqui, por mais calmo e luzente

Que pareça o dia,

Tudo conspira e compete,

Quase não me posso ter presente.

1.13

Ide ao recôndito de vosso ser,

Onde não chega o turbilhão

Das emoções tempestuosas,

Nem domina o preconceito,

Onde o silêncio é majestade,

Lá, minha assistência tereis.

1.14

Sou sua mais próxima obreira,

Da Liberdade — a mensageira.

Quando houverdes de uma noção iluminar,

Serei a chama de vossa lanterna...

Minha voz em vossa mente irá ressoar,

Falarei em vossa morada interna.

1.15

Quero tocar vosso todo,

Convencer vossa razão.

Encantar vosso coração!

Quero que minhas palavras

Vos atinjam como fanfarras marciais,

E que, pondo-vos em alerta,

De vós não escape sequer uma nota.

1.16

Quero vos servir

Como a luz do peregrino

Que indaga a escuridão.

1.17

Quero que vossa carruagem,

Puxada por parelhas nervosas,

Avance pela estrada,

Atirando para os lados

A lama que se formou

Por causa do vosso pranto.

1.18

Quero vos ver livre

Das vagas aterradoras,

Do caminho tortuoso,

Do barro escorregadio,

Do abismo escabroso,

Do futuro erradio.

1.19

Quero, enfim, vos ver deslizando

Pela esteira da espiral caminho,

Que se abre demandando

A Liberdade, que um dia perdestes

Nos becos do mundo em desalinho.

1.20

Tudo que vos disser,

Certamente já foi dito

Por quantos me antecederam:

Cada tempo tem sua crise,

Cada crise tem seu trato.

Agora, nesse novo tempo

Posso abrandar o recato.

1.21

Quando um Mestre vem a vós,

Sói-lhe penoso suportar

As sombras do vosso mundo,

E vós, mal conseguis manter-vos

Na intensidade de seu campo.

Como Ele sempre pode descer

E vós podeis subir um pouco mais,

Ambos vão ao limite possível.

Mas, sobra ruído no intervalo.

O que Ele vos revela

Não é bem o que entendeis,

O que Ele vos tem a dar,

Excede ao que podeis receber.

1.22

O néctar do Olimpo ser-vos-á servido

Conforme a medida de vossa taça.

O finito não compreende o infinito.

1.23

Aquietai-vos, alma;

Descortinai a vida.

Logo, dareis com os caminhos

Que à Liberdade conduzem.

1.24

Súbito,

Soturno silêncio

Assaltou aquele sítio.

Nuvens escuras e pesadas

Espreitavam o entorno.

Pairava suspeita no ar

Reduzido a bafo morno.

1.25

O verde, há pouco alegre e brilhante,

Ofuscou-se perante o céu enfurecido.

Deixando a cena triste e angustiante.

1.26

Contraste, confronto e repente

Alimentavam aquele tempo esquecido,

Profetizando um colapso iminente...

1.27

Percebi, logo,

Da fala a justeza

Da sábia Mensageira:

Na densa natureza

A liberdade é passageira.

1.28

Cada vivente tem seu cativeiro.

Entre as nuvens e qualquer chão,

Erguem-se muralhas de sutil prisão.

E, quem não há percebido

As cadeias que o sujeitam,

Está refém entorpecido

Dos inimigos que o espreitam.

1.29

— Ó Liberdade!

Por mil caminhos vagueias!?

Liberdade! Ilumina a cena!

Das insidiosas cadeias

Desta sorrateira arena,

Em dizeres singelos,

Fala-me dos primeiros elos!

1.30

Quando tantos têm seu caminho,

Como único correto e verdadeiro;

Entre dissimulados desvios,

Como esquivar-me daqueles sombrios

E encontrar o derradeiro?

1.31

Hesitante, silenciei cogitando:

— Em que empresa me aventurava?

Estaria em busca da liberdade sem fim?

Eu? Ninguém? Simples, incógnito mortal

A quem não acudia nenhum emblema,

Nem faculdade para vazar tão Venerável Portal?

1.32

Então, tornou solene a Mensageira:

1.33

— Não há o melhor caminho,

Mas um, que a vida sabe

Ser o melhor que vos cabe,

Mesmo tendo aguçado espinho.

1.34

Quem se proclama

Detentor do caminho único,

Não sabe da estreita amizade

Do mundo disperso

Pela suprema unidade

De todo universo!

1.35

Não sabe que

Em seu gesto reverso,

Descarta o diverso,

Razão do universo!

1.36

Não percebe que sua verdade

É versão localizada,

Interpretação circunstanciada,

Farol de chama fugidia

Erguido em costa bravia,

Alimentado pela queima

De variados informes

De contextos enormes

Das emoções e conflitos,

Dia a dia nutridos

Com referências de viveres aflitos.

1.37

Coitado! Não sabe

Que verdades são pinturas,

Momentos de formas e cores,

Alegorias de leituras

Que brotam d’alma dos pintores.

1.38

Considerai, pois,

1.39

Que a diretiva que restringe

Do pensamento — a liberdade,

Que ideias cristaliza

Em colossal esfinge,

Receia a luz da verdade

E o avanço d’alma paralisa.

1.40

Fazendo prolongado silêncio,

Continuou em tom de advertência:

1.41

— Não olvideis, todos vós!

Viveis no reino da inconstância,

Onde coisa alguma permanece

E, a mais perene substância

Encontra o tempo em que fenece.

1.42

O que é do mundo exterior,

Em si, nada vale.

São apenas coisas

Às quais emprestais valor;

Meros substantivos

Que adjetivais a gosto.

1.43

Irresponsável permissividade

Para extravasar impulsos inconfessos,

Nada tem com minha instância,

Onde o arbítrio é a precisa habilidade

Para sobrepor-se à circunstância.

1.44

Entre arruinados pavilhões

Do edifício interno,

Achareis os originais grilhões

Que vosso viver engendrou,

Quando do mundo externo

Vossa alma se enamorou.

1.45

E, por amor,

Um dia, decidiu — SER,

Depois, — ESTAR,

QUERER, TER e FAZER.

1.46

Agora, todo arbítrio,

Eis vos na Oficina Sagrada,


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